domingo, 19 de agosto de 2007

Até parece que o futuro foi ontem, por Macos Sá Correa para Revista Piauí - agosto 2008


"Montado em sua coluna de fumaça, tendo como cenário o azul equatorial da tarde maranhense, o VSB-30 V04 decolou da Base de Alcântara como um quilométrico ponto de exclamação. De repente, como num passe de mágica, havia qualquer coisa no ar além dos aviões de carreira. Nunca-na-história-deste-país, como naqueles dezenove minutos de subida vertical, o Barão de Itararé foi tão profético. Dias antes, o brigadeiro José Carlos Pereira, da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária, a famigerada Infraero, admitira: “a malha aérea brasileira foi para o espaço”. E a resposta veio de foguete, a 7,2 mil quilômetros por hora, sete vezes mais ligeira que o som: o espaço, pelo menos, continuava em boas mãos.

O VSB-30 – para os enfronhados, Veículo de Sondagem Booster série 30 – zarpou no dia dezenove de julho. Passavam catorze minutos do meio-dia no instante da largada. Devido a acertos de última hora nos reatores, ele saiu atrasado uma semana. Sofrera seis adiamentos por mau tempo. São coisas que acontecem com qualquer passageiro de ponte aérea. O importante é que, na decolagem, o foguete brasileiro foi agraciado com céu límpido, sem nuvens, anil. Literalmente, um céu de brigadeiro."

2 comentários:

Ana Belizário disse...

O mais engraçado é que depois de ler esse texto fofo e absurdamente bem escrito (atenção, porque no site da Piauí tem esse texto e uma continuação e os dois valem à pena), zapeando na TV, topei com o filme Apolo 13, e adorei assisti-lo de novo.
O mais engraçado é que já em 1970, nos EUA, já não tinha mais a menor graça viajar pra lua, e os coitados da tripulação da Apolo 13 só ficaram conhecidos porque um acidente no começo das viagem fez a volta pra casa dele dramática. Bom, conseguiram voltar, sabe-se lá deus como, (e o barato do filme é ver as soluções que os caras na terra conseguiram achar pra traezr a nave de volta) e fica a pasmaceira de pensar como diabos conceber uma viagem numa capsula do tamanho do meu sofá no espaço sideral... e que isso um dia vire comum!
Eu sou e sempre serei uma astronauta frustrada!

Lu Orvat disse...

duas.
duas astronautas frustradas.